Clima de tensão – Bolsonaro faz novas ameaças contra investida do STF e defende que urnas eletrônicas são fraudáveis

Por Melissa Ribeiro

Do G7 Informe – 05/08/2021 | 7h30

O Presidente Jair Bolsonaro, atacou o Ministro do STF Alexandre de Moraes, nesta quarta-feira, 4, em resposta a uma abertura de investigação no inquérito das Fake News.
Bolsonaro se tornou investigado nos atos, por ordem do Ministro, que atendeu denúncia-Crime, do TSE.
Bolsonaro é acusado de propagar Fake News, ao usar uma Live na semana passada para espalhar boatos sobre as eleições e a urna eletrônica.

Em entrevista a uma rádio nesta quarta-feira, o Presidente disse que o inquérito não tem base jurídica para acontecer.
E que, se estão atuando fora da Constituição, ele também poderia atuar, afinal ninguém é mais macho que ninguém.

O Presidente ainda voltou a afirmar que as eleições no Brasil, são fraudáveis.
E disse que em 2018, a urna eletrônica foi alvo de um ataque Hacker, que o inquérito corre em sigilo na Polícia Federal.
O Blog Tecmundo, teria inclusive sido procurado pelo Hacker que fez a invasão para vender o material capturado do ataque.

Em nota, o Blog desmentiu Bolsonaro.
O ataque de 2018, ocorreu em um servidor inativado do TSE e não teve qualquer relação a urna ou a eleição.
Nem um dado foi comprometido.
Além disso, a PF relata que o inquérito ao qual cita o Presidente, é de uma tentativa de invasão, e não de invasão propriamente dita.

Além do Presidente, seu filho Eduardo Bolsonaro, que esteve na entrevista, aproveitou para antecipar uma estratégia que deve ser usada, para aprovar o voto impresso a partir
das próximas eleições na Câmara.
O texto que deveria ser analisado por uma comissão a partir de hoje, pode ser levado direto a votação plenária pelo Presidente da casa, Arthur Lira.
Que é aliado do governo e defendeu a medida nesta quarta-feira, 4.

Lira pode por o texto em votação direta, o que segundo Eduardo, poderia beneficiar e facilitar a sua aprovação.
A família Bolsonaro e seus aliados mais próximos, defendem a medida como meio de auditar as eleições no ano que vem.
Bolsonaro já chegou a dizer, que não existirá Pleito em 2022, se a medida não for aprovada.

Retrocesso
Tanto o TSE quanto deputados da oposição, defendem que a medida é um retrocesso no sistema eleitoral brasileiro.
Desde 1996, o Brasil usa a urna eletrônica, e nunca teve se quer um problema com esse tipo de votação relacionado a fraudes.
Ao contrário de votos impressos como no passado.
Bolsonaro defende que, o sistema é manipulável e que precisa do voto impresso para o auditar de maneira limpa e independente.
Mas na verdade, o voto impresso é que é fácil de ser fraudado.
Sem contar que nesse tipo de voto, nem todos os eleitores poderiam votar.
Deficientes visuais e leitores com idade avançada, que tem dificuldade em escrever, ficariam afetados pela medida.

Edição – Guilherme Kalel