Pandemia – Procura por testamentos cresce 70% em 1 ano

Reportagem – Nathália Mello, Do G7 Informe

05/07/2021 | 5h55

Desde março do ano passado, o Brasil vive o caos protagonizado pela pandemia da Covid-19.
Com mais de 522 mil pessoas que perderam suas vidas, os cartórios nunca ficaram tão movimentados para dar conta dos registros de óbitos.
Não é só isso,
os inventários judiciais e cartorários, também dispararam no período, em função desse acumulado de mortes provocadas pela Covid-19.

Tem muita gente que se preocupa, com o futuro da família, de seus bens.
E tem muita gente que já sabe que seus parentes, ou não terão estrutura, ou podem gerar grande confusão que vai acabar na Justiça.
Para tentar evitar dor de cabeça, outro movimento aumentou nos cartórios de registros no Brasil.
O de testamentos.

O número chegou a ser, de abril de 2020 a junho de 2021, 70% maior que no mesmo período de 2019 / 2020.
A alta desses registros é explicada, exatamente por conta da pandemia.
As pessoas tem medo de morrer, e do que vai acontecer depois disso.

Qualquer pessoa pode registrar um testamento,
e advogados apontam que é a forma mais segura, de se deixar qualquer tipo de bem.
Quanto maior e mais valor, mais confusão pode dar.
Mesmo um computador ou um celular, podem dar confusão na hora de se fazer um inventário.
Por isso no testamento, esses itens que parecem banais, destinados a pessoa a quem quer o falecido que fique por direito, torna tudo mais fácil.

É importante salientar que, um testamento precisa cumprir regras.
1 – Tem que ser feito por maiores de 18 anos.
2 – Por pessoas lúcidas e que não estejam interditadas.
3 – O testamento tem que ser registrado na presença de duas testemunhas, que assinarão no cartório.
4 – Essas testemunhas não podem ser beneficiárias do testamento.
5 – Essas testemunhas precisam ser conhecidas do autor do testamento.

Uma cópia do documento é feita e lacrada, e entregada ao autor.
Outra cópia é deixada no Cartório.
Caso ninguém encontre a cópia que ele deixou, o cartório ao registrar o óbito, vai descobrir que há um testamento vigente.
Mas o testamento só pode ser feito em cartório.

Há diferentes formas de testamento.
O testamento digital, escrito de computador, impresso e registrado em cartório.
Vem se popularizando ao longo dos anos, inclusive porque pode até ser feito por deficientes visuais.
Que escrevem no computador suas vontades, imprimem, e registram de acordo.

Há ainda o testamento escrito a próprio punho.
Não pode ser escrito por outra pessoa, só pelo autor, e ele tem que ter firma reconhecida em cartório para se comparar a caligrafia.
No caso de deficientes visuais, esse tipo de testamento não é aceito pela Justiça,
pois um Invisual não escreve.
Pelo menos não em tese.

Testamentos em áudio ou em vídeo, também começaram a surgir agora, com o advento da tecnologia.
São registrados, e depois o material digital é posto num pendrive, lacrado e registrado em cartório.
Pode ser contestado e nem todos os juízes, validam esse tipo de registro.

Edição – Guilherme Kalel