Exclusivo – Aumenta para 102 número de pessoas que compraram produtos pelo Mercado Livre mas não receberam entrega e nem devolução de dinheiro

Do G7 Informe

27/06/2021 | 7h

Atualizado | 13h38

Com exclusividade neste domingo, 27 de junho, o Portal G7 Informe apresenta uma denúncia contra a plataforma de vendas Mercado Livre.
A denúncia inicialmente foi feita por leitores do Portal, 52 deles, que relataram suas experiências com a empresa e a não resolução do problema.
Após a veiculação da reportagem no G7 nesta manhã de 27 de junho, o número de denunciantes aumentou.
Agora, são 102 pessoas que já contaram a Reportagem, seus problemas com o Mercado Livre.

A denúncia
O Mercado Livre não está entregando aos clientes, produtos que são comprados avista e com valores superiores a R$ 800,00.
102 pessoas que tiveram as compras e não receberam os produtos nem o dinheiro de volta, relataram ao G7 Informe como tudo aconteceu.

O site de vendas oferece os produtos, a pessoa compra e paga.
Depois, a data de recebimento começa a ser alterada de forma indefinida e a pessoa não recebe pelo produto que pagou.
É importante salientar que até agora, os registros são para vendas avista, e que não tem como pedir estorno a própria empresa de cartão de créditos, porque o Mercado Livre é
quem deve reembolsar os clientes.
Configura-se assim um crime de estelionato, porque a empresa recebe pelo produto, fica com o dinheiro da pessoa, e não entrega o que foi comprado.
A reportagem

Comprar um produto muitas das vezes é uma tarefa que causa ansiedade no comprador,
as pessoas compram aquilo que gostam ou que precisam, mas as vezes não saem satisfeitas com o resultado final da compra.
Para alguns clientes da plataforma Mercado Livre, essa insatisfação também se representa por meio de prejuízos.
A empresa está sendo acusada de não entregar compras, de produtos com alto valor.
A acusação é grave e chegou não por uma, mas por diversas pessoas ao G7 Informe.

o todo, 52 leitores do Portal apresentaram a mesma denúncia nos últimos 15 dias, o que fez o Site investigar a procedência do fato,A
que infelizmente é verídico.
O Mercado Livre está deixando de entregar todos os produtos que estão acima de R$ 800,00, e que são comprados avista.
Ou seja, que as pessoas não tem como pedir estorno ao cartão, apenas aguardar a empresa devolver o dinheiro, o que nunca acontece.

O golpe, funciona da seguinte forma,
a pessoa faz uma compra de algo que queira ou precise, e espera chegar.
Geralmente o Mercado Livre põe um prazo e os produtos chegam até antes.
Mas agora isso não está acontecendo,
o produto que é comprado nunca é entregue, e o dinheiro jamais é reavisto.

Renato, mora em Porto Alegre, no RS.
Ele fez a compra de uma TV de 32 polegadas modelo Smart, e pagou R$ 1100 avista já com o frete.
A TV, deveria ter chegado em sua casa no dia 16 de março, a compra foi feita no dia 10.
Hoje é 27 de junho, e ele não recebeu o produto nem recuperou o valor que pagou.
“Quando entramos em contato com o Mercado Livre, eles aumentam cada dia o dia que ia chegar.
Era dia 16, depois 18, depois 23, depois 25, depois 7 de abril, e estamos em 27 de junho, nada.”
Conta.
Renato ainda explicou, que falou com o vendedor pela mensagem no APP do Mercado Livre, mas que ele se esquivou.
“Eles dizem que o Mercado Livre não faz o repasse até o produto chegar ao cliente,
e pedem para aguardar ou reclamar na plataforma.
Na plataforma me dizem que, enquanto o produto não chegar eu não posso recusa-lo e só depois de recusa-lo e eles receberem de volta eu posso reclamar e reaver o dinheiro.”

Renato não está sozinho.
Eloisa, que mora no Rio de Janeiro, enfrenta o mesmo problema desde maio.
Ao comprar um aparelho de ginástica de R$ 960,00 no dia 20 de maio, e ter a promessa de entrega no dia 23,
até hoje ela não recebeu o produto e nem teve acesso ao dinheiro que pagou.

Situação ainda mais dramática, vive Viviane.
A irmã teve um problema de saúde e necessita de uma cadeira de rodas.
Ela comprou o equipamento no Mercado Livre e pagou a quantia de R$ 2800,00 avista.
Deveria ter recebido o produto no dia 7 de junho, a compra foi feita em 31 de maio.
Até hoje, a cadeira não chegou.
“Nós estávamos esperando dia 7, depois dia 9, 11, e 15.
Nada veio, e quando reclamamos, nada resolveu também.
Minha irmã precisa se locomover, a cadeira é item essencial para ela.
Mas não está podendo e isso tem a prejudicado porque não temos como carrega-la de um lado para outro, e eles ficam de palhaçada com a gente.”

A Reportagem do G7 Informe, procurou o Mercado Livre para compreender o que estava ocorrendo.
A empresa disse que trabalha com sistema de compra garantida, e que se o cliente não receber o que comprou, pode solicitar o dinheiro de volta.
Informou o passo a passo da solicitação, mas reiterou que a reclamação pode ser realizada apenas se, o produto não chegar ao endereço no prazo ou se for devolvido.
O problema é que, a própria empresa sempre muda o status da entrega, tornando indefinido o prazo.
Os códigos de rastreio dos produtos, deixam de funcionar depois de alguns dias.
Ninguém sabe onde o produto está.

O G7, passou pela experiência que os denunciantes para verificar o que iria acontecer.
Depois de fazer uma compra e esperar por 10 dias além do prazo normal,
o produto adquirido não foi entregue pela empresa.
Até hoje, o Portal tenta reaver o valor gasto na compra, que só serviu para confirmar a denúncia.

Com as denúncias dos golpes aplicados, a plataforma Mercado Livre, uma das maiores e mais tradicionais em vendas no Brasil, deixa de ser um meio seguro e opcional de compras.
A empresa passa a aplicar um golpe de estelionato em seus clientes.
O Procon foi procurado pelo G7 para falar sobre o assunto.
Que só pode ser decidido, por vias mais complexas.

Todo cliente que for lesado com esse tipo de golpe, precisa registrar um boletim de estelionato contra o Mercado Livre, e depois procurar o Procon de sua cidade, explica um
dos diretores da Unidade Procon de São Paulo.
A empresa será notificada, e terá que prestar um esclarecimento.
Em alguns casos, o recurso mais uma indenização, são conseguidos através de uma ação judicial.

Não é de hoje que pessoas tem apresentado denúncias contra a empresa, revela o Procon paulista.
São mais de 120 casos nos últimos 2 anos, de produtos que não chegaram, e dinheiro que se perderam.
Algumas dessas pessoas que ingressaram com a ação, esperam o resultado na Justiça, o que desanima.
O sistema judiciário brasileiro é moroso, e muitas das vezes a pessoa dá o que tem por um produto, que não tem como reaver e comprar em outro lugar.
Caso de Viviane, a irmã que precisa da cadeira de rodas, não tem o item exatamente por culpa de uma empresa criminosa.

Reportagem de Guilherme Kalel, Eloá Briscker e Nathália Mello